Get your own free workspace
View
 

PSICOLOGIA DA VIDA ADULTA

Page history last edited by Marta Capistrano 3 years, 8 months ago

SER ADULTO- Marta Capistrano

 

Em resposta pessoal às questões provocativas a cerca do ser adulto, minha reflexão se faz através de questionamentos: no mundo globalizado que temos as interpretações do ser adulto variam conforme a cultura de cada povo, assim como a natureza biológica do ser, os aspectos legais e burocráticos, a bagagem de vida construída. Existiria, portanto uma definição para ser adulto ou estas seriam apenas convenções sociais?

 

Mediante esta busca encontrei o seguinte trabalho que me fez repensar: SER ADULTO”

 

ALGUNS ELEMENTOS PARA A DISCUSSÃO DESTE CONCEITO E PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE ADULTOS” NILCE DA SILVA*

  

http://www.ipv.pt/millenium/Millenium29/35.pdf

 

Resumidamente: neste trabalho a professora cita as etapas evolutivas descritas por Jean Piaget em seu livro “ Seis estudos de Psicologia” apresentando como contraponto as observações de Pierre Furter sobre a idealização do Ser Adulto, das quais destaco a seguinte indagação de Pierre Furter:

 

...afirmamos que não é o número de anos de uma pessoa que define como ela pensa ou age; é a situação posta pela vida, é a experiência que está sendo vivida, é o modo de conceber a realidade que definirão o modo de ser e fazer de um sujeito.”

 

Entendo que não seja necessariamente a idade que determina a entrada na vida adulta, mas a postura assumida frente aos desafios diários. Portanto um jovem ou até mesmo uma criança em idade precoce, enfrenta aos desafios da sobrevivência poderá amadurecer mais cedo, assim como uma pessoa com certa bagagem de vivências pode não ter assumido seu amadurecimento psicológico.

 

E Pierre Furter continua colocando:

Podemos falar que o homem é pré-maturo e que vive em contínuo estado de aprendizagem, de amadurecimento independentemente do tempo bio-cronológico que não pára.”

 

Portanto, segundo Furter há uma idealização do ser adulto convencionado pela sociedade e sua concepção cultural de maturidade, pois o homem vive em constante aprendizagem e amadurecimento até a sua morte. Achei interessante esta percepção do SER ADULTO, pois costumamos rotular criança, jovem, adulto sem considerar o processo de crescimento e amadurecimento do ser que é contínuo, não estanque, nem estático. Conheço pessoas jovens com posturas amadurecidas e “adultos” inconseqüentes em suas ações e posicionamentos, assim como crianças que muito cedo foram provadas e precisaram acelerar este processo de maturação psicológica e social. Leia também o texto que está linkado acima para buscar outras conclusões. Espero ter acrescentado a este fórum uma nova percepção. MARTA CAPISTRANO, em 24/08/08.

 

 


 

Atividade 2-DESAFIO:

Pensa sobre sua própria vida e sobre os adultos que lhe rodeiam. Construa um quadro, identificando o maior número possível de comportamentos que evidenciem as diversas fases descritas por Erikson. Procure contemplar os diferentes aspectos: psicológicos, biológicos, intelectuais, relacionais, familiares, amorosos, profissionais e financeiros.

ESTÁGIOS da VIDA ADULTA, SEGUNDO ERIKSON

DIMENSÃO DE INTERAÇÃO SOCIAL

( da pessoas consigo mesma e com o ambiente social)


 

CARACTERIZAÇÃO EM ASPECTOS VARIADOS

6º ESTÁGIO

INTIMIDADE x ISOLAMENTO

(início da maturidade) aproximadamente o período do namoro e começo da vida familiar, que se estende desde o final da adolescência até o começo da meia idade.

  • Aquisição prévia de um senso de identidade pessoal e a dedicação a um trabalho produtivo;”

  • nova dimensão interpessoal de intimidade, num extremo e de isolamento, no outro;”

  • refere-se à capacidade de compartilhar com outrem e cuidar de outrem, sem temor de perder-se a si mesmo, no processo;”

  • abrange o relacionamento entre amigos;”

  • senso de compromisso, um para com o outro, que exemplifica a intimidade no sentido mais lato. Se não for criado um senso de intimidade com os amigos ou com o parceiro conjugal, o resultado, no entender de Erikson, é a sensação de isolamento - de estar só, sem ninguém com quem partilhar ou de quem cuidar.”


 

  • Busca pelo mercado de trabalho de colocação e de ascensão profissional: auto-sustentabilidade;

  • aperfeiçoamento pessoal e profissional através dos estudos: auto-realização;

  • identificação com o grupo de trabalho e/ou estudos ou amizades;

  • senso de pertencimento e responsabilidade para com o outro ou um grupo( pessoa, grupo ou família);

  • necessidade de pertencer a outros grupos sociais, conforme suas preferências e habilidades;

  • busca de relacionamentos de amizade ou amorosos;

  • busca da construção de um núcleo familiar;



 

  • depressão causada pelo desemprego;

  • baixa estima pela auto-exclusão na falta de preparo profissional;

  • auto-marginalização por não proporcionar ao seu grupo condições básicas de sobrevivência;

  • alcoolismo e violência doméstica;

  • auto-piedade;

  • auto-exclusão social;

7º ESTÁGIO

GENERATIVIDADE x ABSORÇÃO EM SI MESMO

meia idade ou, aproximadamente, o período em que as crianças se tornam adolescentes e os pais já estão fixados no trabalho e/ou profissão

  • a pessoa começa a interessar-se por outras fora de sua família imediata, com as gerações futuras e com a natureza da sociedade e do mundo em que elas viverão;”

  • qualquer indivíduo que se preocupe ativamente com o bem-estar dos jovens e com a idéia de tornar o mundo um lugar melhor para as futuras gerações viverem e trabalharem. “

  • aquelas que não chegam a formar um senso de “generatividade” caem num estado de absorção em si mesmas, em que as necessidades e comodidades pessoais são a preocupação dominante;”


 

  • Necessidade de deixar suas marcas, contribuições às gerações futuras;

  • participação em associações comunitárias, ações voluntarias, ONGs, entidades filantrópicas, igrejas, partidos políticos;

  • iniciativas de congregar pessoas em campanhas em defesa da vida;


 

  • construção de patrimônio, como legado aos filhos;

  • construção do legado cultural, ético, filosófico ou religioso como legado aos familiares;


 

  • usura, usurpação, descomprometimento social;

  • descomprometimento e desconexão com o contexto social: auto-exclusão;

  • egoísmo, avareza, desconfiança, pessimismo, descrença;

 

8ºESTÁGIO

INTEGRIDADE x DESESPERO

esforços do indivíduo aproximam-se do fim e há tempo para a reflexão

  • capacidade do indivíduo de apreciar em retrospecto toda a sua vida com alto grau de satisfação;”

  • indivíduo que revê a própria vida como uma série de oportunidades e direções perdidas entende que é tarde demais para começar de novo. Para alguém assim, o resultado inevitável é o senso de desespero pelo que poderia ter sido.”

  • Alegria de viver: sentimento de auto-realização;

  • aceitação das limitações fisiológicas impostas pela idade com bom humor;

  • aceitação da morte, desfrutar da vida;

  • participação em grupos de terceira idade com o intuito de viver a vida intensamente;

  • auto-percepção de si mesmo: missão cumprida;

  • elevação espiritual, desvinculação do mundo material para a construção da felicidade;

  • valorização dos momentos de felicidades construídos no dia a dia: sorriso de criança, brincadeiras com os netos,etc.

  • busca de atividades cotidianas prazerosas;

  • atividade mental mais lúcida;

  • interação cultural com outra gerações;


 

  • desesperança, desmotivação, angústia,depressão;

  • isolamento, anti-sociabilidade,

  • dificuldade de aceitação de seus limites físicos, das diferenças entre gerações;

  • medo da morte, solidão, vazio existencial;

  • lamentações por aquilo que não realizou;

  • apego aos bens materiais;

  • idealização de felicidade;

  • fanatismo religioso;


 

 

 

Obs: As citações entre aspas pertencem ao texto AS OITO IDADES DO HOMEM, segundo Erik Erikson por David Elkind.

 

 

A caracterização em aspectos variados foi construída por mim, Marta Capistrano, aluna do PEAD.

 


 

 

Atividade:4

Você, como aluno do PEAD e nas suas experiências cotidianas, é um adulto em processo de aprendizagem. A partir desta idéia, convidamos você para escrever um texto (entre 15 e 20 linhas), tentando entender de que forma as características do desenvolvimento intelectual do jovem e do adulto e as relações professor-aluno se manifestam no seu próprio processo de aprendizagem.

 

 

Em meu processo pessoal de aprendizagem percebo que não aprendo com respostas prontas, mas com desafios em que tenha que buscar refletir e reconstruir noções e conceitos previamente construídos, mas superados pela limitação de sua operacionalidade, superficialidade ou incompletude, segundo Paulo Freire.

Desse conflito e da interação com o objeto da aprendizagem, das trocas de experiências nas relações sociais agregam-se novos conhecimentos, reconstruindo aquelas verdades relativas, transformando-as em dúvidas provisórias, que serão testadas e re-significadas até ofereçam resultado satisfatório na resolução das situações propostas. Aprendo também acompanhando o desenvolvimento do raciocínio do colega ou autor do texto, ao manifestar suas teorias, argumentos e reflexões e também emitindo minhas próprias conclusões a cerca das proposições iniciais e dos contrapontos nas interações com os colegas. Assim como os jovens são despertados pelo seu conjunto de interesses, estes constituirão um canal de acessibilidade para novas aprendizagens, também com o adulto.

Compreendendo como acontece o processo de construção do conhecimento comigo mesma, enquanto aluna, aumenta sensibilidade quanto as facilidades e dificuldades enfrentadas pelos alunos no processo de aprendizagem, assim como, a desafiar e encorajar trocas, questionamentos, conclusões, pois aprender e ensinar são as duas faces de uma mesma moeda: a construção do saber e do ser humano.

 


Comments (0)

You don't have permission to comment on this page.